O dia primeiro de junho de 2007 promete ser um marco na história da saúde suplementar no Brasil. Se não houver alguma mudança de última hora (a ANS afirma que não haverá), a partir dessa data todos os prestadores de serviços médicos, hospitalares e de apoio ao diagnóstico passarão a utilizar, para informar os eventos assistenciais às operadoras de planos de saúde, somente as guias e transações eletrônicas instituídas pelo padrão TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar). Os mais pessimistas prevêem o caos, ou, para usar uma expressão em moda, o "apagão da saúde". Alguns, mais radicais, chegaram até a propor um boicote à norma, o que, felizmente, não encontrou eco no mercado. Segundo a norma, a partir daquela data todos os prestadores e operadoras passarão a fazer uso prioritariamente da troca de informações por meio eletrônico, sempre de acordo com o padrão. Os formulários em papel passarão a ter função secundária, apenas como comprovantes opcionais do atendimento, ou em casos onde a troca eletrônica não seja possível. Há exceção somente para os consultórios médicos isolados, que, embora obrigados desde o primeiro momento a utilizar os formulários em papel no padrão TISS, não precisarão implementar a troca eletrônica de dados até 30 de novembro de 2008. O TISS é uma iniciativa da ANS abraçada com comedido, mas inegável, entusiasmo pelas principais entidades representativas do setor de saúde, que têm no Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS) o fórum para discussão e deliberação sobre os rumos da norma. A instituição do COPISS inaugurou um novo modelo de relacionamento entre a agência reguladora e o mercado. Ali foram ou estão sendo definidas algumas das principais características do TISS, que deixou de ser "mais uma regra" da ANS para se tornar a materialização de um grande e antigo anseio do segmento de saúde suplementar. É claro que a norma não é perfeita, mas tem o mérito de agregar contribuições, para o bem ou para o mal, de todos aqueles que se dispuseram a opinar. Há quem diga que os principais beneficiários serão os prestadores, e talvez isso seja verdade no primeiro momento. Mas se olharmos para fora, veremos que nos países onde projetos semelhantes foram implantados, mais notadamente nos Estados Unidos e na Europa, houve ganho expressivo de produtividade, transparência e eficiência para o mercado como um todo.
Autor:
Luiz Antonio De Biase Nogueira
Fonte:
Gestão Estratégica em Medicina Laboratorial
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