Pesquisa realizada pela Associação Paulista de Recursos Humanos e de Gestores de Pessoas (AAPSA) revela que o segundo maior custo das empresas é com o benefício de planos, e mesmo assim, 79% dos motivos de falta no trabalho e afastamento são por razões de saúde.
"Uma coisa é oferecer o plano, outra coisa é promover campanhas de saúde e bem-estar", afirma a diretora do grupo de saúde corporativa da AAPSA e advogada especialista na área de saúde suplementar, Milva Gois.
Para ela, as empresas ainda não perceberam que oferecer apenas um plano médico-hospitalar não é a solução. "O investimento não deve ser visto apenas como estratégia de retenção de talentos, mas também como uma forma de reduzir outras despesas", diz Milva.

Ação conjunta
A melhor estratégia é aquela na qual o resultado dos exames ocupacionais, dados ambulatoriais (internos) e informações do plano de saúde coletivo são interligadas para promover campanhas de bem-estar. Se a empresa conhecer com mais profundidade os principais problemas do funcionário é possível realizar ações mais efetivas, afirma o presidente do Conselho de Administração da Aliança para Saúde Populacional (ASAP), Paulo Marcos Senra.
Para ele, as empresas brasileiras não integram os dados assistenciais e ocupacionais do funcionário. Além de tornar as ações mais efetivas, é possível ter gastos mais focados no que é realmente necessário. "Para que gastar com campanhas de tabagismo se os funcionários não fumam?", brinca Senra.
Com a estratégia de saúde integrada, a utilização do plano é reduzido e, consequentemente, o reajuste anual do plano será menor. "A maior parte dos gestores desconhece a lei de reajuste de planos corporativos", diz Milva Gois. Os reajustes não são regulamentados pela ANS, sendo estabelecido através de uma livre negociação entre a operadora e o representante do grupo contratante. "O que eles não sabem é que o reajuste é feito em cima da utilização do plano". Segundo ela, se o uso da cobertura atingir 70% da receita, a operadora entra no vermelho e deve reajustar o valor.

Falso benefício
Ainda segundo a pesquisa, 58% das empresas consultadas utilizam planos contributários - quando parte do valor é descontada do salário do funcionário. Para a especialista, apenas uma mínima parte conhece a regulamentação deste modelo que obriga a empresa a manter o vínculo do empregado demitido por justa causa ou afastado por motivos de saúde no período entre seis e 24 meses com o plano.
"Mesmo que o antigo funcionário pague 100% do valor, a utilização deste plano irá influenciar no reajuste anual".
Para ela, na maioria dos casos não existe um controle de número de beneficiários desligados das empresas. "A companhia acredita que ao deixar o valor integral com o ex-colaborador não está tendo gastos, mas isso não é verdade".

Medicamentos
Outro benefício que pode ser utilizado como estratégia é o plano que prevê a cobertura de medicamentos. Contudo, apenas 13% das empresas proporcionam este benefício.
Para Gois, a oferta do benefício pode impactar diretamente no uso do plano de saúde. Já que possibilitando o tratamento de doenças crônicas, como diabetes, com o tempo a procura por cobertura médica diminuirá.
O modelo médico-hospitalar abre as portas para o sistema de saúde, mas para completar um tratamento é necessário ter acesso a medicamentos. "O brasileiro tem o costume de ir ao pronto-socorro sempre que sente algo", diz. Para ela, isso proporciona um custo muito grande para os planos e, consequentemente, para as empresas. Sendo que na maioria das vezes, o paciente não volta para retirar os exames cobrados e não realiza o tratamento adequado.

Evento
Hoje começa a segunda edição do Fórum de Saúde Corporativa promovido pela AAPSA, realizado no WTC Events Center, em São Paulo. O evento inicia às 9hs e tem duração de dois dias. Segundo os organizadores, o objetivo é promover palestras e discussões sobre a estratégia competitiva na saúde corporativa, além da apresentação de cases de gestão e a apresentação de novos produtos de saúde suplementar. Entre as empresas participantes estão: Philips, Mapfre, Abbott, Santander, Bradesco e Basf.

 

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