Brasil 2015

 

Os preços controlados pelo governo serão o principal foco de pressão inflacionária

 
 Wagner Barbosa de Castro
 

Não podemos negar, estamos vivendo tempos um pouco confusos de transição, tanto na área política, quanto econômica do País. Neste ano de 2014, a economia nacional teve muita dificuldade em virtude do declínio dos gastos com investimentos e desaceleração do consumo. Estamos observando pontos de turbulência econômica. O Brasil precisa de reformas econômica e política urgentes. É preciso ter vontade de melhorar para organizar a economia e fazê-la voltar a crescer. Este é o desejo de todos os brasileiros para 2015. E este será o maior desafio do próximo governante.

Apesar de as economias desenvolvidas gerarem hoje dois terços do PIB mundial, os países em desenvolvimento serão, cada vez mais, as fontes do crescimento econômico mundial. Em um ano de transição política, quem assumir a presidência enfrentará um quadro complicado, uma vez que estados e municípios precisam se fortalecer economicamente para que as mudanças macroeconômicas possam sair das promessas dos discursos.

Os analistas do setor privado continuam duvidando amplamente de qualquer melhora significativa das condições de funcionamento da economia nacional. Seguindo esse raciocínio, o País continuará operando com baixa produtividade e, portanto, com reduzido potencial de crescimento. As questões que mais preocupam os especialistas são a pouca qualificação da mão de obra, a dependência na agricultura e na exportação de commodities e os investimentos equivocados.

O Brasil depende muito da agricultura, a nossa indústria está pouco competitiva, enfatizam especialistas. É preciso investir massivamente na educação, não existe outro caminho. Basta pegar o exemplo dos asiáticos e dos alemães. Os seus países são potências mundiais e chegaram lá investindo no ensino. É assim que um país consegue mão de obra qualificada. É preciso investir na qualidade, não na quantidade. Basta o Brasil ser capaz de imitar quem está fazendo bem feito, defendem os economistas.

Aliado a esses fatos, problemas estruturais da nossa economia, tais como a baixa taxa de poupança em relação ao PIB, um sistema complexo e oneroso de tributação à indústria e ao consumo, além da elevação da dívida pública bruta e da ausência de regras claras e estáveis para atração de investimentos estrangeiros diretos, colocam a necessidade de uma revisão das diretrizes de política econômica para retomarmos uma trajetória de crescimento sustentado, o que tanto se prega.

Dado o cenário acima, independentemente de quem seja o presidente, em 2015, terá um primeiro ano de governo muito difícil, com resultado primário baixo, inflação muito acima do centro da meta e com a indústria ainda enfrentando os mesmos problemas de hoje. Não é um cenário de crise, mas de inflação elevada e crescimento por volta de 2% ao ano, de acordo com algumas estimativas mais conservadoras.

Os preços controlados pelo governo serão o principal foco de pressão inflacionária em 2015 e deverá manter o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima de 6%, segundo estudos econômicos. Na previsão dos analistas, esse conjunto de itens, que inclui energia, gasolina e tarifas de ônibus, subirá quase 8%, superando o reajuste dos preços livres, que deve ficar em torno de 6%.

 

Destaques

Crescimento da economia– A previsão de crescimento econômico do País para o primeiro ano de mandato do próximo presidente não deve ultrapassar 2%.

Política fiscal– No curto prazo, a política fiscal no Brasil jogou contra a política monetária, mas o que preocupa mesmo é qual tratamento será utilizado na variável de tempo maior. Perspectiva para os investimentos públicos mantém uma trajetória pífia. Possibilidade de uma reforma tributária que reduza a carga tributária é pouco viável. Neste cenário, a dívida pública deve permanecer crescente.

Comportamento da inflação– A inflação brasileira é dividida em preços livres e administrados. Livres são aqueles regulados pelo próprio mercado, como os ligados aos produtos de alimentação, por exemplo. Estes têm um peso próximo de 75% no PIB. Já os preços administrados, como gasolina, energia, água e esgoto, transporte público etc., têm peso próximo de 25%. Este peso de preços administrados é grande, segundo vários economistas, especialmente quando o governo exerce tanto controle sobre determinados produtos, como ocorreu em 2013/14. O cenário geral é, sem sombra de dúvida, preocupante. No caso da inflação, a proposta da Lei de Orçamento Anual mantém alta de 5% para o IPCA como consta da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas o mercado trabalha com inflação em torno de 6%.

Política de juros– Ohorizonte da política monetária para 2015 tem uma lista extensa de incertezas: o nível de reajuste dos preços administrados, o grau de intervenção no câmbio, a magnitude do superávit primário e os impactos da fraqueza da atividade econômica sobre a inflação. O desenlace da eleição presidencial muda radicalmente a expectativa da política monetária. De qualquer forma, deve variar para baixo até 9,75% e para cima até 12%.

Taxa de câmbio– Para 2015, a expectativa é de variar até R$ 2,50 por dólar.

Setor externo– A projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil em 2014 permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa para o aporte de recursos do exterior recuou de US$ 56 bilhões para US$ 55 bilhões.

O ano de 2015 será desafiador em termos de tomada de decisão. É preciso considerar as questões importantes de 2014, recessão econômica, o atual cenário inflacionário, a retração dos negócios, o novo momento político, entre outras.

 
O autor é economista e coordenador da comissão
econômica da Abramge e do Sinange, wnpg@
uol.com.br

 

 

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